Crônica vaticana
23/07/2010 (2:50)

JT: A Igreja Anglicana da Inglaterra votou este mês para ordenar mulheres como Bispos. Esta decisão foi vista com cuidado aqui no Vaticano, já que poderia ter um forte impacto no diálogo ecumênico. Hoje vamos ver esse tema na Crônica Vaticana.

CG: Eu sou Carol Glatz, correspondente em Roma de Catholic News Service. Dez dias atrás, a Igreja da Inglaterra decidiu aprovar a criação de mulheres bispos em 2014. Mas essa não é uma decisão final, haverá uma outra votação em dois anos. Mas para muitas pessoas, parece que a Igreja da Inglaterra, a Igreja Mãe da Comunhão Anglicana, move-se inevitavelmente em direção da ordenação de mulheres como Bispos - algo que já ocorre em várias províncias anglicanos. O Vaticano considera isso como um novo obstáculo importante no diálogo ecumênico.

JT: Assim é. Os representantes do Vaticano vêem  isso como uma ruptura com a tradição cristã partilhada ,que remonta há muitos séculos. Eles ressaltam que todas as igrejas do primeiro milênio, a católica, a oriental e a Ortodoxa, argumentam que apenas homens podem ser ordenados Bispos e padres. A ordenação episcopal de mulheres apresenta um problema particular para a futura comunhão entre católicos e anglicanos, porque não pode ter comunhão sem o reconhecimento do ministério episcopal. Então, o diálogo continuará, mas permanece pouco claro.

CG: Isso coincidiu que o Vaticano sublinhou justamente na semana passada seu ensinamento sobre a ordenação das mulheres. Afirmou que a intenção de ordenar mulheres é agora um dos crimes mais graves contra a lei da Igreja e é punido com excomunhão automática. Então líderes anglicanos e católicos estão definitivamente se movendo em direções opostas.
 
JT: Este também é um tema interno muito sensível para a Igreja Anglicana. Há muitos anglicanos tradicionalistas e anglicanos que se opõem a ordenação de mulheres. Os opositores da Igreja da Inglaterra propuseram a criação de dioceses separadas com os Bispos somente homens,  e quando isto foi recusado, muitos deles disseram que centenas ou milhares de anglicanos poderiam se retirar para unirem-se à Igreja católica - ou como disse uma expressão popular, "nadar  no Rio Tibre".

CG: Tudo isso torna mais fácil compreender o anúncio que o Vaticano deu no outono passado sobre uma nova fórmula que deu as boas-vindas na Igreja Católica aos grupos de anglicanos descontentes, pemitindo-lhes manter algumas de suas práticas espirituais e litúrgicas. Alguns dos líderes tradicionalistas já se encontraram com representantes católicos para conversas preliminares sobre como se poderia fazer isso na Inglaterra e País de Gales. Não é claro ainda se se trata de um êxodo ou algo de menor intensidade.

JT: Isso provavelmente vai depender do que vai acontecer nos próximos três ou quatro anos dentro da comunhão anglicana. Entretanto, muitas pessoas estarão interessadas no que o Papa Bento XVI dirá sobre este assunto durante sua visita à Inglaterra em setembro.

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